Barbie é uma má influência?

O título do post é um tanto quanto forte já que este é um blog de colecionador. Mas é uma pergunta que está no centro de uma discussão recente e que acaba por nos envolver.

Quando se fala em “Barbie humana”, logo lembramos daquelas mulheres que resolvem colocar em prática uma idealização projetada para um brinquedo, certo? Ou lembramos de celebridades que vestiram algum traje semelhante ao usado pela boneca. Mas certamente você já deve ter lido notícias a respeito de pesquisas da possível influência que Barbie pode ter na vida das crianças e jovens de um modo geral, principalmente na aparência estética.

Recentemente o artista norte-americano Nickolay Lamm foi além e resolveu criar uma Barbie com proporções humanas consideradas saudáveis para uma jovem, modificando bruscamente a estética aplicada em Barbie pela Mattel. A versão feita por Lamm e produzida em uma impressora 3D apresenta uma boneca mais baixa, com curvas, bumbum acentuado e outras características corporais muito diferentes da boneca. As dimensões do protótipo são baseadas em dados divulgados pelo Centers for Disease Control and Prevention (Centro para Controle e Prevenção de Doenças, em tradução livre) tomados como base para uma pessoa considerada saudável.

O artista considera que Barbie pode influenciar negativamente as modelos e mulheres em geral no que diz respeito ao peso e padrão estético, conforme entrevista concedida a um jornal estadunidense. A teoria também está presente em uma série de estudos científicos (basta uma pesquisa rápida na Internet para apurar as principais).

Não me recordo de ter tratado especificamente deste tema aqui no blog com tanto destaque em algum momento. Tomando a dica da Desirée (obrigada, Desi!), resolvi levantar a questão com vocês.

Como os colecionadores já conhecem, a Mattel foi pioneira – comercialmente falando – na criação de uma boneca que imitava proporções de uma mulher adulta, diferente das referências presentes até à década de 1950, de boneca com feições infantis. A partir de então, década após década, a fabricante é colocada na berlinda sobre a má influência que Barbie pode exercer sobre o peso e concepção estética tanto de crianças quanto de jovens e adultos.

Como ocorre em outros nichos de mercado, o que é mais popular, mais famoso, certamente terá elogios e na mesma medida, ou além disso, acabará recebendo mais críticas que os demais produtos. Tornar-se referência é uma via de mão dupla e certamente perigosa: por vezes, as críticas poderão se sobrepor aos elogios.

Partindo ao ponto que interessa ao debate: Barbie pode influenciar negativamente as proporções corporais e estéticas das pessoas?

A história de Barbie teria sido muito diferente se na década de 1950 Ruth Handler, junto com sua equipe, tivesse decidido que a boneca teria um corpo curvilíneo e semelhante ao de uma mulher da época (lembrando que naquele período específico, era comum os corpos tipo “violão”, com quadris largos e seios fartos). Apesar de não ser oficialmente constatado, o padrão adotado em Barbie era semelhante ao da Bild Lilly, considerada a precursora de Barbie (já falei disso aqui). E Lilli já ostentava um corpo diferente de boneca. Mas como não fez tanto sucesso, enfim…

Se a fabricante tivesse criado uma boneca considerada “normal” para os padrões estéticos vigentes teria causado impacto negativo nos pais e demais formadores de opinião da época? É claro que sim, não tenho dúvidas disso. Para quem estava acostumado com bonecas com carinhas de criança ou imitando um bebê, um brinquedo com feições tão semelhantes a uma mulher adulta seria algo inesperado e um prato cheio para discussões e críticas, independente do padrão estético adotado.

Acredito que a boneca possa ser considerada um “modelo de perfeição” para determinadas pessoas, mas não acho válido a demonização do brinquedo como o principal responsável pelo padrão estético pregado como ideal na sociedade. Se o padrão adotado pelas modelos nas passarelas foi alterado, muito em parte se deu por conta do surgimento de algo que ia além dos padrões vigentes. A modelo Twiggy, fenômeno do mundo fashionista na década de 1960, revolucionou o que era considerado “bonito” e “aceitável” para o corpo das manequins. No cinema, enquanto era comum ver mulheres voluptuosas como Marilyn Monroe, a também atriz Audrey Hepburn surgiu em contraponto, galgando o estrelato em suas diminutas formas. Ambas, Audrey e Twiggy, tinham o biotipo de uma mulher magra, muito magra. E não acredito que assim o eram por conta de uma boneca, mas em dada medida por fatores genéticos (pelo menos, ao se fazer uma pesquisa sobre ambas, não há nenhuma informação a respeito de distúrbios alimentares, não oficialmente).

Infelizmente uma parcela de meninas/os e adolescentes no mundo inteiro, influenciadas/os também pela mídia e sociedade, partem para um caminho perigoso em busca de um corpo considerado “perfeito”, quando contraem/praticam distúrbios alimentares. Se a boneca pode influenciar nesse sentido? O brinquedo, única e exclusivamente, acredito que não. Creio que uma série de fatores podem contribuir para que isso aconteça. E não sei se uma mudança por parte da Mattel nos padrões de Barbie modificaria esse problema a curto prazo. Quem sabe alterasse esse cenário após um longo período, até porque como tal padrão já é consolidado, os consumidores provavelmente levariam um tempo até se acostumarem com uma nova proposta.

Necessário ressaltar aqui que não estou criticando a discussão ou a elaboração de projetos por parte dessas pessoas, até porque muitas delas se baseiam em pesquisas científicas para tanto. Mas acho válido pensar também em outras versões para este fato. Não será a primeira e talvez nem a última vez que a boneca será alvo de discussões. Já falamos aqui no blog sobre outras polêmicas nas quais Barbie ou outros personagens feitos para a marca foram envolvidos.

E você, o que acha a respeito do tema: Barbie tem alguma influência sobre sua aparência estética? Você compraria uma boneca que tivesse um biotipo considerado “saudável” (lembrando que cada pessoa tem um corpo baseado em características genéticas e culturais próprias)? Participe do debate, deixe seu comentário!

Créditos das imagens: Reprodução Nickolay Lamm via Folha de S. Paulo e Business Insider.

***

Observação importante: os créditos das imagens estão na legenda de cada uma; ao clicar, as imagens redirecionam para suas páginas de origem. Se você é autor de alguma imagem, por favor, leia nossa página sobre uso de conteúdo.

Anúncios

14 comentários sobre “Barbie é uma má influência?

  1. Oii, sumi? agr eu voltei, e amei o assunto do debate, minha opniao é o seguinte: eu nao acho q a barbie deveria influenciar tanto assim nao, pq a barbie é uma boneca, como q uma pessoa vai ser como uma boneca, tipo, se inspirar no estilo dela td bem, mas tentar ter um corpo semelhante, isso nao é normal. mas a propria boneca, pra mim, nao tem culpa de nada, e tbm, olha um tanto de bonecas ai no mercado q tem, q sao ate mais magras q a barbie, mas a barbie vira alvo, por causa da fama. é q nem uma celebridade, sempre arrumam um motivo pra criticar, isso vira assunto, a midia e as concorrentes e ate fãs de outras dolls criticam a barbie assim, exemplo é a monster high, é linda e tal, mas é bem mais magra q a barbie, e é bem pouco criticada, mas esse é o preço da fama da barbie

  2. Nao, nao acho que é uma má influência, simplesmente porque nao acho que um simples brinquedo influencie a cabeça de uma criança, e sim comentários ligados a tal objeto. A educaçao recebida, neste caso fomentar a autoestima das meninas, é o que influencia. Modelos esqueléticas, programaçao penosa na TV, “música” sem sentido com letras denigrantes… Isso sim influencia negativamente e ninguém diz nada. E isto serve tanto para Barbies como para videogames. É o de sempre: o problema está dentro, mas é mais fácil pôr a culpa no de fora :S
    Beijos.

  3. Tenho dezasseis anos, e a Barbie nunca me influenciou. Sempre que brincava com ela só via uma jovem bonita de rosto e elegante.
    Tem muitas pessoas que julgam as bonecas, principalmente as da Mattel. No entanto só vêem proporções irrealistas, sem querer saber como são as personalidades e objectivos das bonecas.

    A Barbie provou desde sempre que as mulheres podiam ter qualquer cargo, desde presidente, astronauta, pilota, etc… Desde sempre mostrou ser uma jovem bonita, sempre na moda mas uma apoiante do direitos das mulheres, que pode ter qualquer profissão. Além de ter focado sempre no ponto de sonhar em grande e seguir os sonhos.

    As Monster High também sofrem criticas, especialmente por terem um corpo não humano (sinceramente são monstros, daí a figura magra). E ainda julgam as roupas… Mas devem ser as bonecas com a mensagem mais interessante. Promovem a aceitação das diferenças e celebrar os nossos defeitos e não mudar quem nós somos só para impressionar os outros.

    As novas Ever After High, que provêem das Monster High, nota-se que a Mattel leu as criticas e deu-lhes um corpo mais humano (na mesma faz sentido com o tema). Não sei como serão as criticas, elas têm saias pelos joelhos mais ao menos, e todas têm meias por baixo. Não sei em que podem picar. A mensagem também é muito interessante, de seguir o nosso próprio destino e não os que os outros querem que sigamos.

    Sinceramente acho que problemas com imagem em jovens ou crianças é causado por pessoas verdadeiras, seja na televisão ou na escola, não em bonecas.

  4. É complicado. Não acho certo essa “demonização” da magreza. Sempre fui um menino magro, por mais que eu comesse, nunca engordava. Nunca tive músculos de GI Joe. Na infância os brinquedos não me faziam sentir mal com meu corpo: nunca quis os peitos da Barbie ou os bíceps do He-Man. O que me incomodava era justamente comentários de familiares e colegas de escola, eram a fonte da minha frustração por ser magro.

    Quando olho essa versão “politicamente correta” da Barbie eu sinto repulsa. Por quê ser magro é errado, no final das contas? Se Barbie sempre foi “geneticamente” magra, como Audrey Hepburn, Twiggy e Keira Knightley, deixe que continue assim, oras! Mau exemplo é uma mulher fruta, com medidas absurdas e comportamento vulgar. Mau exemplo é não dizer pro filho não jogar lixo na rua. Mau exemplo é não dar bom dia pro porteiro do prédio.

    Sei lá, acho que essa polêmica sobre as medidas da Barbie já caducou. O ideal de beleza já está mudando, as mulheres “fitness” de voz grossa e sem cintura proliferam. As modelos “sensuais” da Victoria’s Secrets são cada vez mais musculosas e retas. E Barbie continua com sua cintura e seus quadris (ainda que tímidos).

  5. Ah, Sam, já ia esquecendo: se essas medidas são consideradas ideais para uma jovem saudável, então a maioria das mulheres que eu conheço estão terrivelmente doentes. Conheço magras, altas, peitudas, sem bunda, em forma, fora de forma, mas ninguém que se aproxime dessa “Barbie real”. A intenção pode ter sido boa, mas só reforça outros preconceitos.

    1. Justamente. As medidas apontadas como saudáveis pelo órgão que o artista tomou como base mostram uma mulher baixa e curvilínea. Se for por isso, também devo estar com algum problema, já que tenho 1.80 de altura e sou meio termo no fator peso, atualmente. Mas já fui muito, muito magra, como você, durante a infância e adolescência. E não era porque eu me “espelhava” em boneca, mas sim porque meu biotipo era assim. E odiava, porque também sofria na escola e entre as crianças do bairro, que me davam apelidos pejorativos. E olha que eu comia e nada de ganhar peso. Só fui ganhar “corpo” (se posso dizer assim) depois de me tornar mãe.
      Também concordo que há inúmeros problemas que, esses sim, influenciam negativamente uma criança ou adolescente. Mas como disse no post, ser “referência” implica, quase sempre, em uma maior quantidade de críticas em detrimento dos elogios.
      Enfim, de qualquer modo, julguei ser importante debatermos a respeito por aqui 🙂

  6. Oi Sam! Adoro quando você traz para o blog assuntos como esse. Há alguns que dizem que influencia, outros que não….eu particurlamente acho que não influencia. Temos que nos amar (eu aprendi a me amar!) e gostar do biotipo do nosso corpo. Nunca fui influenciada pela Barbie (digo isso porque brincava de Barbie na minha infância). Claro, tem aquelas que se submetem a diversas cirurgias para ficar parecida com a Barbie, e não liga mesmo pra saúde! Eu sempre odiei minha pequena estatura (1,61m) mas aprendi a me amar recentemente!! Muito legal o tema abordado aqui Sam (eu adoro todos os temas que você aborda aqui, não vejo outros blogs fazendo isso). Beijos 😀

  7. eles sempre batem nessa mesma tecla, porq? Isso é sempre debate na ”vida” da Barbie; acho que com tantas causas boas engajadas nessa tempo todo (tais como leilões em prol de caridade e etc …) as pessoas debatem as formas invejáveis dela.

  8. Nossa Fala serio,a Barbie é mil vezes mais bonita que a boneca saudável, eu acho que a Barbie não influencia assim também, eu sei que tem gente que se deixa influenciar por uma coisa que não é real, a Barbie é uma Boneca não uma mulher, e eu acho que se a Mattel mudasse a Barbie para uma Barbie Considerada Saudável, a Mattel perderia seu titulo de maior fabricante de brinquedos do mundo, isso tudo depende da pessoas, porque se pensamos assim, vai incentivar um menino a ter bulimia, querendo ser o Max Steel, a Susi vai incentivar uma menina ter olhos grandes, para mim, deve ser uma mulher que quer destruir a Marca Barbie, eu não compraria a outra Barbie, ela é horrivel!!
    😀

  9. eu acho que não, eu amo a Barbie mas me mudar para parecer com ela nunca, estou feliz como eu sou , e isso também depende da cabeça de cada um, e fala serio se mudarem a Barbie para um corpo”saudável” e não compro a boneca e horrível, e na minha opinião a Mattel vai perder muitas vendas pois quase ninguém comprar essas bonecas ,(gente essa e a minha opinião não sei oque cada um de vocês acha) Beijos!!!!!!!!

  10. se mudarem o corpo dela eu nao compraria nunca!por 2 motivos:
    1-eu nao quero uma boneca gorda,nem ‘saudavel’
    2-o que eu iria fazer com as roupinhas que eu tenho?ja que nao iria servir nelas?
    eu acho que nao tem nada a ver isso,estética é uma coisa muito pessoal, eu nao vejo muito pessoas se inspirando na barbie. Alias eles deviam reclamar das funkeiras,porque eu vejo garotas de 14,13,12,11,10 anos se inspirando em funkeiras com aquela cara de travesti mulher melancia,meninas nao brincam mais de barbies entao acho que é melhor se inspirar na barbie(garota doce,meiga,bondosa,generosa) do que em mulheres vulgares que a midia bota la em cima.

  11. Oi Samira
    Eu acho que a questão dela ser magra e alta não influencia em nada, mas se é verdade que a mattel fez barbies transexuais isso sim é uma ma influencia.
    A pessoa querer ser transexual é problema dela mas ver crianças brincando com bonecas com corpo de mulher e orgãos masculinos não é normal até pq a barbie nunca teve nenhum orgão a mostra.

  12. poxa , post ótimo viu, zapeando por sites acabei parando aqui! Realmente é muito radical atribuir somente a boneca tanta influencia assim na vida das meninas (e meninos) mas sim ha q se trabalhar bem na educação dos pequenos para q alguns disturbios não sejam “aflorados” alimentados por esse padrão quase inatingível de beleza. Enfim, linda boneca , sonho de consumo de muitas , eu por exemplo , (há muitos anos kkkk) minha barbie rapunzel era minha companhia inseparavel, quantas horas não passei escovando seus longos cabelos loiros, e trocando de roupinha? Tive uma ótima educação, e mesmo consumidora dos produtos da boneca não adquiri nenhum disturbio em busca de imita-la. Enfim há de se ter moderação e senso na educação das crianças , sem radicalimos! parabéns pelo blog! muito bom!

Deixe seu comentário no espaço abaixo! Obrigada! :)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s