Convenção Barbie Brasil | Barbie e Ken: Brinquedos para meninas?

Até quando tanto Barbie quanto o próprio Ken serão considerados brinquedos de menina? Este foi um dos pontos levantados na mesa-redonda de colecionadores, realizada no primeiro dia (5/11) da convenção. Na oportunidade, os colecionadores Alexandre Bittencourt, Bernardo Guedes, Fabrício Longo e Paulo Souto – mediados pelo também colecionador e um dos apresentadores do evento, Carlos Keffer – falaram sobre suas primeiras bonecas, objetos de desejo, coleções preferidas, a influência dos bonecos em suas vidas, além do tema considerado polêmico.

Colecionadores a postos para um bate-papo bacana | Foto: Gilberto para My Barbie Doll

Alexandre conta sobre sua primeira Barbie (que, coincidentemente, foi a minha também, mas da versão da Estrela :)) | Foto: Gilberto para My Barbie Doll

Após uma breve explanação sobre a família Handler, incluindo os criadores da Mattel e os filhos de ambos, fontes de inspiração para os nomes dos bonecos, um dos pontos levantados foi a primeira boneca de cada colecionador. Ao passo que eles apresentavam suas primeiras Barbies ou Kens, a questão envolvendo o preconceito por serem homens e colecionarem veio à tona. O bacana foi que cada um contribuiu com seu ponto de vista, tornando o debate sadio e importante para desmitificar o tabu de que apenas meninas ou mulheres podem brincar ou gostar de colecionar bonecas sem qualquer tipo de preconceito.

Paulo Souto conta sua história com Barbie | Foto: Gilberto para My Barbie Doll
Por que Ken e Barbie encantam tanto? Outro tema da mesa-redonda | Foto: Gilberto para My Barbie Doll
Ken’s Klub: o blog administrado por Alexandre e Bernardo | Foto: Gilberto para My Barbie Doll

“Quando se é criança, deve-se brincar com tudo, para conhecer diversos mundos”, explica Bernardo. Já Fabrício exemplificou a questão do preconceito, quando pais, inadvertidamente, impedem que meninos brinquem com Ken ou Barbie por julgar tais brinquedos como exclusivos de meninas – o que comumente é pregado na sociedade -, causando certo sofrimento nos filhos por não dar a eles a oportunidade de brincar com os bonecos. Sobre isto, o colecionador declarou: “Um pai não deve infringir dor ao seu filho, não deixando ele brincar com o que gosta.”

As coleções apreciadas por Bernardo | Foto: Gilberto para My Barbie Doll
Bob, versão brasileira de Ken feita pela Estrela nas décadas de 1980 e 1990, em foco | Foto: Gilberto para My Barbie Doll
A inspiração de Barbie e Ken na vida de Fabrício | Foto: Gilberto para My Barbie Doll

O tema foi levantado de forma humorada pela Pixar, em ocasião do lançamento do longa Toy Story 3, de 2010. Em um dos teasers divulgados para promover o filme, Ken é entrevistado e expõe seu ponto de vista:

Mesmo com a complexidade da situação e do aparente aumento de apelos moralistas, a hora seria propícia para mudanças, incentivando inclusive a desmitificação do tema. Afinal de contas, por que as meninas sempre poderão brincar com brinquedos de meninos, mas o contrário não é permitido, independente do universo de Ken e Barbie? E, indo mais além, se até a mulher conquistou o direito de deixar de ser um sexo totalmente frágil e praticar as mesmas profissões e atitudes então consideradas masculinas, por que o contrário ainda é visto de forma tão negativa?

E você, o que acha? Deixe sua opinião.

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12 comentários sobre “Convenção Barbie Brasil | Barbie e Ken: Brinquedos para meninas?

  1. Na minha opinião grande parte desse pensamento tacanho é em grande parte consequência das próprias atitudes dos fabricantes que nos brinquedos considerados masculinos geralmente amenizam o teor de masculinidade nas embalagens (vide brinquedos da franquia Carros da Pixar que não mostra em lugar algum um menino e sempre privilegiam tons neutros oque contribui para que o brinquedo seja desejado por qualquer criança) enquanto nas embalagens do Ken por exemplo predominam os tons de rosa e tantos outros estereótipos ligados ao universo feminino.

  2. Na minha opinião isso de que boneca é pra mulher é muito ridícula! Os fabricantes tem que ter um público alvo com seus produtos e esse público é o feminino, mas eu pergunto: Qual o problema em um menino comprar uma Barbie?. Se alguém vê problema eu não vejo nenhum. Aprendi a não julgar os outros para não ser julgada. Os pais feministas e machistas deviam saber que comprar ou não boneca não vai influenciar em nenhum momento na sexualidade dos filhos.

  3. Sobre a questão de menina brincar com coisa de menino e menino não poder fazer o mesmo, é algo meio simples na minha opinião: Durante muitos séculos, os homens foram tidos como “os chefões, os superiores” que tinham que ser héteros até o pé da letra e, por mais que a sociedade tenha mudado, esse pensamento sobre manter ‘a pose’ ainda é considerado por muitos pais.

  4. Isso é mesmo muito triste, e por mais que o público alvo seja o universo infantil feminino, nos dias atuais chega a ser uma falha grave para a Mattel não tentar atrair os meninos. Eu sempre admirei bonecas Barbie e também fui uma das crianças que não podia brincar de boneca porque os pais achavam que era coisa de menina. Depois disso sublimei, mas agora com 29 anos, casado e independente finalmente transformei a admiração pela Barbie em colecionismo e hoje sou um apaixonado e viciado na loira mais famosa de sempre.

  5. O mais curioso é que a própria empresa reforça o entendimento de “brinquedo de menina”.
    Já em relação à mesa redonda ela foi bem interessante e instigante. Assim como toda a convenção. Foi legal estar lá e conhecer novas pessoas, todas elas com o interesse de colecionismo em comum. E eu acabo sendo um “colecionador de tabela”. Culpa sua, D. Samira, rsrsrs
    Voltando ao assunto do post acredito que aos poucos o mundo está mudando, mas infelizmente ainda se mantém os estereótipos de brinquedos de meninas e meninos. Isso sem falar que a maioria dos ditos desenhos e “brinquedos de meninos” reforçam a violência e a guerra. É preciso pensar e agir em relação ao futuro que realmente queremos para nossos filhos e netos.
    Parabéns pela sua cobertura e desculpa se as fotos não ajudaram muito….

  6. Sabe que eu acho que no caso o foco dessa propaganda foram as mães, e se você pensar, a própria Mattel sabe que os fãs da Barbie não são só menininhas de até 8 anos, eles sabem que têm meninos também, têm homens, drag queens, mulheres… MAS IMAGINA, “A gente cria, seus filhos imaginam” infelizmente iria criar uma polêmica e tal, ainda vivemos em um mundo conservador, cabe as mães pararem com esse preconceito e perceberem que não é uma boneca que vai mudar a sexualidade do menino, se o menino gostar de bonecas não adianta as mães colocarem ele pra brincar com os carrinhos Hot-wheels, que só vão fazer ele crescer frustado, a maneira certa de lidar com isso e aceitar, gostar de rosa e de Barbies não quer dizer que quando ele crescer ele vai ser gay, mas se isso acontecer, não têm problema, por que nada pode influenciar a sexualidade de ninguém, cabe a mãe perceber que ela criou o filho pra ter caráter não pra ser hétero, pronto falei!

  7. Olha gente sou menino, coleciono Ken e não ligo pelo fato do nome Barbie ser maior q o Ken pois em si o foco e a Barbie e não o Ken. O Ken faz parte da linha Barbie entao ele tem que seguir a tendencia da Barbie. Já fui muito criticado por colecionar Ken. Raramente olho pra uma Barbie e tenho vontade de ter só algumas mais. Monster high sou louco por uma, mas não tenho coragem de pedir pois sei q meus pais vão me matar. Adoro o ken sempre gostei mas concordo no fato de eles colocarem sempre meninas na caixa quando ai comprar a meu boneco do troy vinha uma menina na caixa… Poxa! High School Musical era tanto pra menino quanto pra menina. Acho uma sacanagem isso. Acho q poderia ser um menino e uma menina brincando, mas entendo a Mattel. Se eles fizerem isso vai cair um monte de bomba pra eles.

  8. Hola desde España: el tema que planteas es interesante y complejo a la vez. Actualmente por España está mal visto que a un niño le regales una Barbie aunque le guste la muñeca en cambio a las niñas es uno de los regalos que siempre les compran. Creo que Mattel tendría que cambiar la presentación de los juguetes y abandonar tanto rosa e incluir colores más neutros y que no estuvieran relacionado tanto con niñas. Creo que la sociedad aún no ha evolucionado por mucho que los colegios y familias defiendan el discurso de la igualdad entre niños y niñas. Creo que aún queda mucho camino que recorrer hasta conseguir esa igualdad en los juguetes. Saludos y seguimos en contacto de blog a blog

  9. eu sou uma criança que coleciona bonecos Ken desde os 7 anos. Tenho enfrentado discriminações por causa do meu gosto. Revolto-me ao ouvir frase tão discriminadora: “Ken são para meninas”. Se é para meninas porque ele não e mulher?,eu me inspiro nele desde muito tempo. Devemos acabar com esses tabus

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